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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, São Conrado, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Livros, Música
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Trinta e quatro - Torpedo

O Festival de Gramado chegou ao final. Os filmes consagrados e premiados foram "De Passagem", de Ricardo Elias e "Los lunes al sol", de Fernando Aranoa.

Lucas gostou de ambos. Achou a premiação justa.

Ele não estava empolgado. Seus pensamentos estavam no Rio. Mesmo assim, resolveu participar da festa de encerramento no Hotel Serrano.
Chegando lá, encontrou alguns dos seus amigos. A organização tinha deixado alguns jornalistas e cineastas de fora. Péssimo. Alguns profissionais chegaram ficar sob intensa garoa, sem contar o frio da cidade serrana. Ocorreu um início de tumulto.

Lucas tinha a credencial. Porém, alguns de seus amigos da Band, Cultura e do jornal carioca "O Dia" não puderam entrar. Lucas resolveu interceder pelos colegas. Conversou com a jornalista Juliana Santili, encarregada pelo credenciamento da imprensa na celebração. Segundo ela, não havia uma lista.

Lucas achou estranho e deduziu desorganização. Achou um absurdo o destrato com alguns cineastas e jornalistas.

Manuel Giardini, video-repórter da TVE-RJ, amigo pessoal de Lucas era um dos segregados e indignados. Ligou a câmera e tentou entrevistar a assessora, que tentava apagar o fogo com simpatia, mas ineficiente, já que a fila aumentava. Lucas notou que a jovem assessora de imprensa começou a ficar tensa. Resolveu ajuda-la. Tentou acalmar os nervos dos comunicadores impedidos de entrar.
Giardini pediu para Lucas conversar com Juliana. Afinal, a assessora tinha simpatizado com o cineasta, que tentava entreter os revoltados.

- Você está tensa!
- Um pouco. Eles acham que sou a culpada.
- Acho que não. O problema é que eles estão com frio, fome e vontade de entrar.
- Eu sei. Não posso fazer nada.
- Como não? Coloque o pessoal lá dentro. Só tem jornalista, comunicadores e cineastas.
- Não posso. - Lucas percebeu que a chefe de Juliana estava próxima.
- Entendo.
- Qual seu nome?
- Juliana. E tu?
- Lucas. Prazer.

Giardini sussurrou no ouvido de seu amigo que mais um pouquinho Juliana liberaria o pessoal.
Lucas descordou, pois a garota tinha uma postura profissional.

- Lucas, Lucas vai por mim. Ela é assessora de imprensa e inteligente. Ela sabe que os jornalistas não devem ficar de fora.
- Mas, o problema é da organização do evento.
- Então, por isso mesmo. Sou jornalista. Sei que estou falando. O bom assessor tem iniciativa, ousadia e, quando precisa, age com autonomia, independente das trapalhadas do cliente.
- Poxa, Giardini, acho que tens razão. Porém, penso que a Juliana esteja um pouco tensa e abandonada pela equipe.
- Então cara, jogue um charme. Você é o mais bonito daqui, meu irmão. Fale com ela. Mande um bilhete.


Lucas sacou um cartão de visita e escreveu: "Mantenha seu sorriso no rosto. Ele faz diferença". Entregou.

Minutos depois, não pelo bilhete, mas por bom senso, liberaram os barrados.

Lucas conversou trocou algumas palavras com Juliana, que agradeceu a gentileza e foi para pista de dança.
Desejava que Patrícia surgisse em meio à escuridão e luzes negras do salão nobre do hotel. Algumas garotas tentaram se aproximar do rapaz, que recusou as investidas, apesar de algumas serem de demasiada criatividade.

Voltou ao hotel.

Acordou com uma sensação estranha. Pegou o transporte para Porto Alegre, onde ficaria mais três dias.

Sua cabeça permanecia em Patrícia. Porém, sabia que este relacionamento não vingaria. Histórias de noivas que deixam o noivo no altar são estórias.

 Escrito por Théo às 15h22 [] [envie esta mensagem]



Diga capítulo 33

Lucas ficou chateado com Patrícia. Sentiu-se usado. Não gostou do e-mail enviado por Patrícia.

Apesar de entender a situação da garota, mais uma vez ficou decepicionado com as mulheres. Tentava valoriza-las, demonstrar carinho incondicional, mas se dava mal.
Seus amigos sempre o aconcelharam a ser menos comportado. Usavam a expressão "seja mais cafa". Elas gostam. Claro, ridículo, mas tentador.

Na festa oficial do evento no Bill Bar, ele quis se soltar. Percebeu que algumas garotas e mulheres o miravam.
Chegou a ser abordado três vezes. Sem chance: Só pensava em Patrícia.
Entrou no banheiro e chorou. Voltou ao hotel e dormiu. Resolveu pensar apenas no final do Festival.

Pensou que talvez tivesse interpretado mal Patrícia.
Ele queria estar com ela. Implorar para que ela não se casar. Não achava uma atitude correta. Queria sumir.
Mas, por impulso, carregado de saudade, respondeu ao e-mail.

Patrícia, prontamente, mandou outro, com comentários sobre alguns argumentos do rapaz.
Dessa vez Lucas ficou mais feliz com o e-mail. Sua saudade aumentou. Faltava apenas um dia para o festival.

Abaixo, o segundo e-mail pós Gramado enviado por Patrícia.


Oi,

Eu não quero mais ficar aqui!!! Quero voltar para Gramado agora! E não é por causa do Marcos Palmeira (risos), pode apostar.

Pois é, você demorou tanto para responder que eu pensei que tivesse se arrependido e decidido me abandonar de vez.

Minha força renovada? Só rindo mesmo. Assim que cheguei, minha coordenadora despejou tudo em cima de mim e desencanou. Fiquei até às dez da noite. O problema é que eu estava totalmente surtada... você consegue imaginar como estava a minha cabeça? Quer dizer, como está... A minha sorte é que tenho pessoas maravilhosas trabalhando comigo e que sempre me ajudam muito. Bom, resumindo, fizemos a apresentação hoje e foi boa.

Ontem, cheguei em casa tão mal que não conversei direito nem com minha mãe. Quando cheguei, dei um abraço bem apertado nela (ela deve ter estranhado) e fui fazer as minhas coisas. Ela até tentou conversar, mas eu disse que estava muito cansada e que precisava dormir. Não quis ver meu noivo tb. Disse que precisava dormir. A minha irmã está bem.

Ah, a nossa cidade está totalmente sem graça. Parece que está faltando algo. Vc sabe o que é? (risos)

Não tenho ainda idéia do que vou fazer no fim de semana. Estou na seguinte situação: pára tudo que eu quero descer!!!

Sobre seus comentários:
2- Me arrependi por não conversar contigo em 2002;
E talvez eu nunca te perdoe por isso. Tudo seria tão mais fácil...

3- PERDÃO por ter dormido em seus braços. Eu estava deveras cansado, sem dormir, quase bêbado e, na boa, hipnotisado com seus carinhos. Caracas Paty, não é fácil, vc tem a manha. Na boa, vc praticamente me ninou. Repito, seus beijos e carinhos são inadjetiváveis;
Eu já disse que vc não precisa me pedir perdão. Eu entendo que você estava cansado. Eu é que peço desculpas por ter resolvido ter uma crise numa hora daquela! Coisas de mulher...

4- PERDÃO por ter feito tudo tão depressa. De coração, não tive a intensão. Vontade sim, claro. Mas, não estava nos meus planos. Desculpe-me pela ousadia. Não curto esta história de "ficar". Lembre-se, uma das minhas metas é valorizar a mulher. Ainda mais tu, guria.
De coração tb, obrigada por ter feito. Eu sei que sou uma maluca de estar dizendo isso, mas é o que sinto. Eu sei que dei um empurrão para tudo ter acontecido. Sou uma garota inteligente e sabia que nós dois, num mesmo quarto, montando press kit, não poderia dar certo, quer dizer, poderia dar certo até demais. E deu.

Mas, passou algumas vezes pela minha cabeça, a idéia de conquista-la.
Só passou? Já foi embora a idéia? Ai, desculpe, eu sei que não deveria falar essas coisas...

5- Obrigado pela oportunidade de conhecer-te. Foi legal e especial;
Isso é uma despedida???

6- RISOS. Patrícia, eu realmente não a mereço.
Vc não sabe o que está dizendo...

Patrícia, vou parar de escrever. Costumo ser mais fechado. Escrevi muito, não tudo.
Escreva tudo então. Eu quero ouvir. Pensando bem, se eu quero ouvir, não escreva, fale.

Aproveite o último dia do festival, mas não muito tá?

Quero que saiba que vou contar com vc sim, muito. Você também pode contar comigo, se eu puder ajudar de alguma forma.

Um beijo com muito carinho.

Patrícia.




 Escrito por Théo às 11h02 [] [envie esta mensagem]



Capítulo XXXII


... Os beijos estavam quentes. Lucas beijava Patrícia como nunca tinha feito com outra garota. Em cada movimento dos lábios, língüa e mãos, o garoto depositava doses grandiozas de carinho e afeto.

O hálito dela, naquele momento, era o melhor dos perfumes. A cama parecia nuvens.
Patrícia interrompia os beijos para mirar os olhos de Lucas e sorrir. Tal atitude deixava o rapaz louco, feliz.

Apesar do prazer que desfrutavam, sem ninguém a observa-los além dos olhos abençoadores de Deus, não tinham pressa. Permaneciam vestidos e comprotados. Não tinham pressa. Curtiam cada minuto.
Num rápido intervalo, Patrícia fez um carinho mágico no rosto de Lucas, que enfrentava sua terceira noite em claro. De repente, um breve cochilo.

Ele despertou assustado e envergonhado. Porém, ela o velava com sorriso e lembrava da canção do Aerosmith " I don't want miss a thing" (I could stay awake just to hear you breathing/ Watch you smile while you are sleeping/ While you're far away and dreaming ...).

Os beijos e carinhos eram cada vez mais intensos.

De repente, como numa crise de consciência, confusa, com medo, Patrícia, com feição de choro, pede para Lucas sair. Sem entender nada, ele fica parado. Sabia que a garota poderia estar numa crise enorme.
Sem questionar muito, Lucas deixou o quarto do hotel. Passadas 3 horas da manhã, o frio de Gramado castigava o rosto molhado com lágrimas do rapaz. Ele queria voltar. Se desejo era entregar o corpo pela primeira vez a uma garota: Patrícia. Insistir para ela não casar e ficar o resto da vida com ele, juntos.

Porém, numa egotrip enquanto caminhava nas ruas escuras da cidade à procura de um Taxi que o levaria ao seu Hotel, Lucas se castigava; Não estava arrependido, mas lamentava não obedecer a razão - afinal, às vezes, temos razão de não ouvir a razão -, que pediu para ele não se aproximar de Patrícia, após a ciência que sua amada era noiva.

Seu único desejo no momento era desculpar-se com a garota pelo desrespeito proporcionado, não apenas pelos beijos e carinhos, mas também pelos e-mails.

Sentou na guia do passeio e pediu a Deus proteção e felicidade a Patrícia.
Chegou ao Hotel para o Café da Manhã, no momento em que Patrícia embarcava em Caxias do Sul para o Rio.

Lucas teve um dia horrível. Resolveu esquecer Patrícia. Ou talvez, esconder seus sentimentos, como se pudesse ... 

Patrícia chegou à Assessoria triste. Contou a sua amiga Fátima o que tinha acontecido.
Escreveu uma carta para Lucas e enviou pela internet (abaixo).
A noite, não quis encontrar seu noivo. O mundo parecia desabar.

 

E-mail enviado por Patrícia ao chegar no Rio de Janeiro:


Oi,

Cheguei aqui já faz uma hora, mas só consegui sentar em minha mesa
agora. Assim que entrei, minha coordenadora me chamou para me passar
tudo. Isso é que é desespero. Fico extremamente irritada quando não me
deixam nem chegar direito. Não fui para a casa. Vim direto do aeroporto
para cá. Aliás, se eu sobreviver a esse dia, acho que sobrevivo a tudo.
Estou cansada, com sono, confusa, atrapalhada, enfim, um horror, e ainda
tenho que pensar em estratégias para um de nossos clientes. Sem contar que, assim
que entrei, a realidade já começou a despencar em minha cabeça. Meu
noivo já me ligou, minha irmã tb... Parece que ligaram pra dizer "olha,
nós existimos e nós somos a sua realidade". Eu estava tão bem longe
daqui.

Ok, vou parar de reclamar. Tenho uma coisa boa para contar. Assim que
entrei aqui na redação, as meninas da minha equipe disseram que estavam
com saudade e que eu faço muita falta. Bom, né? Acho que tenho amigas de
verdade aqui, mas não pra contar o que está acontecendo comigo. Isso,
infelizmente, vou ter que guardar só para mim.

Não acordei muito bem. Por um momento, me arrependi de ter pedido para
vc ir embora. Quando o alarme do meu celular tocou, eu senti um vazio
tão grande, um medo... Mas, como vc mesmo diz, eu sou forte e posso
enfrentar esses sentimentos. Continuo precisando chorar. Acho que só
assim vou me sentir um pouco aliviada. O pior é que nem chorar eu vou
poder, pois tenho certeza de que sempre terá alguém por perto me pedindo
uma explicação.

E como estão as coisas por aí? E seus chefes, comentaram mais alguma
coisa? Ah, tome Bohemias para quando vc estiver sentindo minha
falta. É uma forma de estar próxima, eu acho.

Preciso parar de escrever, senão, você não vai ter nem tempo de ler meus
e-mails. É que eu gosto tanto de falar com vc...

Ah, como é que está o bar Bohemia?

Estou com saudade (já!).

Comporte-se! (brincadeira).

Take care.

Mais uma coisa: como não sabia para qual e-mail mandar, mandei para os
dois que eu tinha por aqui.

Beijo.

 



 Escrito por Théo às 09h12 [] [envie esta mensagem]