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Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, São Conrado, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Livros, Música ICQ - 79011768
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Capítulo XVII
Lucas fez muitas amizades em Gramado. Se divertiu e aprendeu muito.
Voltou na fábrica de piano, onde deu um show. Tocou os instrumentos do acervo e alegrou a manhã de quinta-feira dos funcionários.
Sua cabeça estava cheia de Bohemia, não da cerveja, mas do inesperado encontro no Bar montado pela AmBev.
O fato deixou o garoto muito reflexivo. Pensou, pensou, pensou...
Sua vontade era conversar com a garota, a tal Patrícia do Bar Bohemia. Ficou realmente atraído por ela.
Em sua memória, as imagens do sorriso, do olhar, do charme da pessoa que roubou a cena em Gramado. A vontade era se apresentar, convidá-la para jantar ou para a mostra dos filmes. Enfim, Lucas queria se aproximar, mas seus pensamentos eram barreiras intransponíveis:
”Não é possível, uma mulher bonita deste jeito deve ser comprometida” ”Será que não serei desrespeitoso, caso eu resolva me apresentar?” ”Caracas, o que eu faço? O olhar dela é penetrante; cativa. Não, não posso me aproximar só pela beleza dela. Ridículo! Melhor criar uma amizade antes. Vou parar de olhar”
Lucas e Patrícia se encontraram no Bar Bohemia na quinta-feira. Ele fugiu do campo de visão da garota. A timidez era um dos problemas do rapaz.
Ele pediu uma caneta emprestada, sacou seu cartão de visita do bolso e começou a escrever um bilhete. Depois de algumas tentativas sem sucesso rasgou todos os papéis. Ora achava desrespeito, ora sua letra estava feia ou cometia pequenos erros de português.
Seus amigos de São Paulo o convidaram para uma "balada" no Bill Bar, na avenida das Hortênsias. Ele não foi. Apareceu no Hotel Serra Azul, conversou com algumas pessoas na festa e resolveu dormir, ninado pelas imagens do Bar Bohemia.
Escrito por Théo às 14h31
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Capítulo XVI
Terça-feira, 12 de agosto de 2002 (continuação)
Toda agitação da noite serrana foi substituída por um vaco. Silêncio absoluto! Ninguém se mexia. Tudo e todos desfocados, exceto o olhar, agora sem sorriso, mas aparentemente interessado, daquela garota do Bar Bohemia.
Lucas, tímido, desviou o olhar. Talvez estivesse enganado, afinal, tinha exagerado um pouco na cerveja.
Durante a exibição, Lucas não prestou atenção aos filmes. Ficou conectado com as imagens da sua memória, que traziam o sorriso, o olhar e o charme captados instantes atrás.
Ele ficou mudo.
No final da última sessão, correu em direção ao Bar Bohemia. Fechado. Ninguém mais nas proximidades, a não ser a platéia que entrava em vans e micro-ônibus com destino a festa que aconteceria no Hotel Serrano.
. . .
Na festa, Lucas tentou dançar algumas músicas. Estava sem clima. Rodou o salão à procura de alguém que ele mal conhecia. Não encontrou e decidiu voltar mais cedo para o hotel.
Pela manhã, logo após o delicioso café, foi ao centro. Mandou postais para amigos e pais. Almoçou e resolveu andar pela feira do Mercado Audiovisual Brasileiro. Conversou bastante com Lima Duarte, com quem tomou até algumas doses de cachaça gaúcha.
. . .
Participou do Workshop de animação. Também não prestou atenção.
Voltou ao hotel, tomou banho e voltou ao Bar Bohemia para encontar seus amigos.
. . .
Percebeu que foi o primeiro a chegar. "Acho que a galera comeu demais no almoço" - pensou Lucas.
O jovem cineasta resolveu aguardar seus acompanhantes do lado de fora. Mais uma vez conversava com os seguranças, quando a cena do dia anterior se repetiu.
- Patrícia. - O que? - Perguntou ao Segurança que ao perceber "o clima" interveio. - Patrícia é o nome dela. Bonita, não?! - É. Muito. Quem é ela?
O segurança explicou. Lucas ouviu, com o lhar direcionado ao nada.
- Por que tu não entras, guri? chame a guria de canto? - Não. Não. Imagina. Nem rola. - Bah, pensei que os cariocas fossem mais ousados. - Que é isso. Nem conheço a menina. - Capaz! tu não deixaste de olhar para guria; nem ela para ti.
Lucas entrou no Bar assim que os amigos chegaram. Discretamente olhava de lado e percebia que Patrícia também o olhava. Quando um sorria, o outro devolvia o gracejo.
Ma Tedesco, amiga de Lucas, percebeu a troca de olhares. E deu uma de "xerife": "Assim fica fácil trabalhar". Ninguém na mesa entendeu o comentário. Lucas disfarçou, levantou e antes de sair mirou mais uma vez os olhos da atraente mulher no Bar Bohemia.
Escrito por Théo às 13h36
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