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Capítulo XV - Olhar Bohemio

Terça-feira, 12 de agosto de 2002


Lucas encontrou Jota e Fabrício, amigos de São Paulo, no centro de convenções da UFRGS. Conversaram um pouco.
Depois, sem pressa, andou da Rua S.Pedro até o mirante da Av. das Hortências. A cidade estava toda enfeitada para o festival. Aliás, numa conversa com o recepicionista da pousada, Lucas soube que Gramado recebia muitos eventos ao longo do ano, o que propiciava decorações temáticas.
Comprou lembrancinhas para família, chefes e sua amiga Juliana.

O sol brilhava no céu azul sem nuvens. Qualquer blusa seria exageiro. Lucas emprestou uma bicicleta no Hotel e rodou a cidade. Ficou surpreso com um bairro um pouco afastado: Casas simples, povo simples, lugar sem estrutura. Conversou um pouco com os moradores.
Ficou pasmo com alguns testemunhos. Segundo relato dos nativos, os ambulantes eram proibidos pela prefeitura de transitar no centro ou lugares turísticos durante festivais ou feiras.
E mais, a estrutura da bela Gramado era apenas para os visitantes elogiarem, pois a cidade sofria com falta de saneamento básico.

Indignado, Lucas voltou à UFRGS e comentou o fato com seus amigos paulistas. Jota ficou louco e decidiu propor um documentário sobre a "Farsa de Gramado" na oficina de Roteiro, que seria realizada na quarta-feira.

 . . .

Gramado estava mais cheia. No almoço promovido pelo evento, Lucas, junto com Paulo Halm, sentou à mesa com a atrizes Letícia Spiler - que divulgava "Paixão de Jacobina" , Débora Falabela; e Alexandre Moreno, "Uma onda no ar".

O assunto não poderia se routro: "A farsa de Gramado". Débora e Moreno se mostraram indgnados. Letícia se limitou a discutir planos de seqüência com Pepê (Halm).

 . . .

Antes da exibição, Lucas entrou no Bar Bohemia - em frente ao Palácio dos Festivais - à espera do início da exibição.
A primeira cerveja brasileira era distribuida de graça para artistas, jornalistas e cineastas. As risadas já estavam um pouco altas, assim como os "apreciadores".
Minutos antes do início da exibição, os promotores serviram a versão escura da bebida: Maravilhosa!

Lucas correu ao banheiro. Estava apertado. Na volta, enquanto seus colegas terminavam a saideira, trocou algumas idéias com os seguranças do Bar. Acho-os simpáticos e educados.

De repente, os olhos do rapaz foram atraídos por um sorriso, que para ele, naquele momento era O SORRISO.

Com o rosto vermelho e sem ação, percebeu que a dona do sorriso retribuiu o olhar. Um encontro rápido, casual, que legitimava o poeta: "um segundo não tem fim"!



 Escrito por Théo às 11h04 [] [envie esta mensagem]



Capítulo XIV

Segunda-feira, 11.


Lucas acordou cedo e saboreou o delicioso café colonial do hotel.
Resolveu dar uma volta pela cidade. Conheceu centro de conveções da UFRGS, o Palácio dos Festivais e o centro de Gramado. Saiu de blusa, mas logo estava apenas de camiseta, devido ao estranho calor na cidade.

Passou na sala de imprensa e leu seus e-mail. Percebeu que alguns amigos participariam do Festival, inclusive o Jota de São Paulo.

Ficou animado com o Bar de Bohemia. Soube pelo promoters, que seria servida cerveja de graça.

A tarde, junto com uma turma, resolveu conhecer alguns pontos turísticos. Foi ao Lago Negro e Mirantes. Passeou na vila do Papai Noel e conheceu a fábrica de Pianos. Maravilhoso!

Antes de voltar para o hotel, tomou Bohemias no Bar promocional. Foi muito bem atendido pelos promotores e pela competente Assessora de Imprensa.

Voltou ao Hotel, tomou banho e foi conferir os filmes, na primeira noite do Festival.

 . . .


Lucas ficou facinado com a cidade de Gramado. Tudo perfeito; parecia de bonecas. Pessoas bonitas e inteligentes que "respiram" cinema. Tremendo!

O garoto ficou encantado até com a hortências secas, que provavelmente na primavera iriam colorir a cidade...

Depois da exibição, Lucas participou da festa oficial no Hotel Serrano. Dançou e se divertiu muito.


 Escrito por Théo às 10h24 [] [envie esta mensagem]



Capítulo XIII - Gramado

Quando o Air Bus A 320 da TAM levantou vôo, Lucas suspirou e, com orgulho, admirou sua cidade.
Sobrevoar o Rio de Janeiro era sempre incrível. Principalmente se o aeroporto for o Santos Dumont.

Lucas desde de adolescência se aventurou pelo Brasil e Exterior. Conhecia boa parte do mundo e presenciou lugares maravilhosos, como as Ilhas Gregas (Santorine, Mikonos, Ios, Naxos, Creta). Porém, aos olhos do jovem estudante, nada comparável à sua terra natal: A " ... Cidade Maravilhosa, coração do meu Brasil"; "O Rio de sambas e batucadas, dos malandros e mulatas dos requebros febris".

- Bom dia, Senhor. Deseja algo? - Interrompeu a Comissária de Bordo

Durante o café, sobre as nuvens, Lucas comia com caretas o croassant servido pela empresa aérea. Ao mexer em sua carteira, o garoto encontrou um papel dobrado:

"Querido amigo Lu, oi!
Espero que sua viagem seja maravilhosa e inesquecível. Aproveite cada minuto e cuide-se.
Com carinho, da sua amiga, Ju"


Ele ficou feliz e rubro. Sentiu até um sensação de calor, que surgiu de maneira simultânea ao sorriso tímido no rosto.

Sua amizade com Juliana tomara proporções agradáveis e fraternas. Apesar de ser uma garota linda, que margeia a genialidade, de ser uma companhia agradável, as intenções Lucas - talvez de ambos - estava longe de um romance. Juliana era uma grande amiga. Sincera, amável.

Lucas tinha o passaporte todo carimbado e vistado. E mesmo assim, não conhecia o Rio Grande do Sul, terra de histórias e tradições interessantes, de pessoas bonitas, inteligentes, esclarecidas e engajadas em assuntos políticos e sociais. 

O Afonso Pena - aeroporto de Porto Alegre -  parecia um Shopping. "Estou em Aeroporto Alegre" - Pensou Lucas.

Ao desembarcar, foi abordado por Daniel, um dos produtores do Festival, que o conduziu à Van do evento, junto com mais cinco ilustres participantes: Marieta Severo, Lima Duarte, Jorge Furtado, Débora Falabela e André Mauro.

Uma hora e meia até Gramado, com direito à serviço de bordo e trechos do filme "Uma onda no Ar".

Lucas ficou no mesmo hotel de Jorge Furtado: Recanto das Flores.

O jantar foi num restaurante típico. Lucas já estava acostumado a conviver com artistas e cineastas. Em pouco mais de cinco meses de festivais conheceu muita gente e situações interessantes. Nada comparado ao que estava para acontecer na bela cidade das Serras Gaúchas.

 Escrito por Théo às 19h05 [] [envie esta mensagem]



Capítulo XII

"Nossa, que legal" - Pensou Juliana, depois de ouvir e ver a turma que cantava Chico na Rio Filme.

Sem inibições, a garota sentou-se junto aos demais. Cantou músicas de Chico, Caetano, Oswaldo Montenegro; e até ensaiou batucadas em seu Palm.

Ao final da cantoria procurou permanecer próximo ao Lucas. Ela gostou do jeitão do garoto: Carismático, sorridente e divertido. E claro, tocar violão foi um atrativo relevante.

- Oi. Desculpe-me, mas não sei seu nome?
- Juliana Wienstok.
- Ah tá.
- E o seu?
- Lucas.
- Legal te conhecer. Você toca bem violão. Gostei da seleção
- ela sorriu.

Lucas acredita que o sorriso é a principal jóia da mulher. Ele era capaz de ficar dias com a fotografia de um sorriso feminino registrado na memória. Quando conhecia alguém com um sorriso bonito não deixava passar em branco ...

Ele achou o sorriso de Juliana lindo. Ficou encantado com a forma que a garota falava, sempre carregado com muita paixão.

Começou a observa-la e percebeu que a garota era interessada em assuntos políticos-sociais. O discurso de ambos era parecido.

 . . .

- Lucas - gritou Juliana.
- E aí, tudo bem?
- O que você está fazendo aqui?
- Ué, faço remo. Às terças e quintas.
- Ai que legal. Eu também. Bom, na verdade faço todos os dias. MAs , nunca te vi aqui. Bom, também sempre venho mais cedo.
- Nossa, mais cedo?
- Pois é, cara! Mas já estou acostumada. O que você vai fazer agora?
- Vou para a Rio-filme.
- Eu também. Vou te seguindo.
- Olha só, não estou de carro.
- Ótimo, vamos comigo.

Lucas entrou no carro. Ficou um pouco incomodado com a fumaça do cigarro. Achou interessante uma garota que prega saúde, vegetariana, praticante de esporte e fumante.

Antes de chegarem à Rio-Filme, pararam no Apoador para tomar água-de-coco. Conversaram muito e criticaram o ministério de Paulo Renato (Educação governo FHC) e falaram sobre algumas produções internacionais.

Ao entraram na Rio-Filme, trocaram e-mails e números de telefone.

Ao sentar à mesa, Lucas escreveu um bilhete, pegou um bombom Linditt em sua gaveta e colocou numa caixinha para ser entregue, pelo malote, à Juliana.

Menos de uma hora depois, Juliana apareceu com a cabeça sobre a baia e agradeceu a gentileza de Lucas.

Nascia uma grande amizade. Os dois se falavam todos os dias ao telefone. Trocava e-mails. Elaboraram projetos juntos e participaram de alguns festivais pelo país. Não se desgrudavam.
Questionados pelos colegas sobre um possível romance, negavam!

Jantavam de duas a três vezes por semana. Juliana se encantava com o cavalheirismo e educação do rapaz, que abria a porta do carro, dava sempre a preferência, ouvia as histórias com paciência, não falava palavrões.

Ele ficava admirado com fome de justiça presente nos olhos e ações de Juliana. Achava o máximo a despreocupação dela por grifes de roupa, apesar do carrão e perfume importado. A inteligência dela também impressionava.

Os dois se divertiam muito. Dormiam um na casa do outro e caminhavam pelo calçadão da praia ao sábado.

Profissionalmente a união foi um sucesso. Eram muito queridos pelos organizadores de festivais, produtores, atores e diretores do cinema nacional e latino.

O primeiro semestre de 2002 passou muito rápido. Juliana foi contratada pela Rio-filme. Deixou a assessoria de imprensa para integrar a equipe de produção. Deste modo, os dois ficaram um pouco distantes durante o dia, mas mantinham o contato diário.

 . . .

Lucas foi escolhido para participar do Festival de Gramado. Um sonho antigo, que finalmente seria realizado. Paralelamente, Juliana estaria em São Paulo, para organizar a Mostra Internacional da Cidade.

 . . .

Lucas embarcou para Porto Alegre no dia 9 de agosto de 2002.


 Escrito por Théo às 19h04 [] [envie esta mensagem]