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Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, São Conrado, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Livros, Música ICQ - 79011768
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Histórico
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13/06/2004 a 19/06/2004
06/06/2004 a 12/06/2004
30/05/2004 a 05/06/2004
23/05/2004 a 29/05/2004
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FIM
Lucas tentou relacionar-se com outras garotas. Fez músicas, poesias e textos brilhantes que empolgaram corações de mulheres de várias idades.
Porém, vivia triste; certo que que Patrícia era a mulher de sua vida. Não tinha motivação nem para beijar outros lábios. E quando acontecia, pensava em Patrícia.
Entre os dois, um clima de amizade. Lucas até tentou conversar com sua amada sobre outras meninas. Falso! Claro, ela não gostava de ouvir, nem ele de falar. Mas, era uma forma de esquece-la. Entender que Patrícia seria apenas uma amiga.
Ela estava bem casada. Arrependeu-se do envolvimento antes com Lucas. Amava seu esposo como nunca amou outro homem. Ambos frequentavam a igreja aos domingos. Tiveram muito filhos.
Lucas torneou-se um cineasta bem sucedido. Viajou várias vezes à Cannes e escreveu mais dez roteiros premiados. Conseguiu a cadeira titular de Documentário na UFF (Niterói), além de viajar toda semana a São Paulo para ministrar aos alunos da Universidade Mackenzie.
Montou dois apartamentos. Um em Niterói e outro no bairro do Brooklin, em Sampa. Não casou. Resistia ao assédio das alunas e outras professoras.
O retrato que tirou de Patrícia em 2003 ainda estava em suas coisas.
Em 2027, Lucas caminhava pela Av. Faria Lima, no bairro de Pinheiros, na capital paulista. Entrou numa rua e chegou a uma praça, parecida com aquela que ele e Patrícia se encontravam no Rio. Sentou. Observou as pessoas que passeavam com cachorros. De repente, uma senhora, com muito charme veio em sua direção. Ao cruzar os olhares, a Terra parecia parada. Lucas e Patrícia se encontraram mais uma vez.
Sem qualquer troca de palavras, se beijaram. O amor foi embaixo da copa da árvore, numa intensidade a dar inveja a qualquer adolescente. Resolveram que ficariam juntos. Que nada os separariam.
Lucas agradecia aos deuses.
. . .
Horas depois, ele acorda numa cama no Hotel Serra Azul em Gramado. Seu sorriso era largo e satisfeito. Sua alegria poderia ser percebida por qualquer pessoa que cruzasse seu caminho a milhares de distância.
Percebeu que estava nu, muito animado e sozinho. Acordou de um sonho. Era agosto de 2004. Patrícia não existia. Nunca existiu. Foi apenas fruto da imaginação do rapaz, que um dia acreditou que poderia existir alguma pessoa tão bela quanto Patrícia.
Lucas sabia, que qualquer mulher era digna de todo o respeito. Porém, tal tratamento teria de ser incondicional. Afinal, mulheres não gostam de rapazes educados e cavalheiros. Preferem os brutos.
Escrito por Théo às 18h11
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39 - O dia do casamento ...
Lucas estava agoniado. Triste. Deprimido. Queria fugir com Patrícia. Sua vontade era deixar tudo para trás e ficar com a pessoa que amava. Nenhuma outra garota tinha encantado tanto a Lucas quanto Patrícia.
Nas lembraças, o sorriso estampado no rosto dela durante os beijos, ou os carinhos únicos feitos no rosto dele. Ao lado de Patrícia, Lucas sentia-se forte, bonito, querido, desejado. Tudo nela era perfeito para ele: hálito, pele, cheiro, beijo, corpo, inteligência, carinho.
No dia 9 de outubro, dois dias antes do casamento, já no final da tarde, Lucas recebe um e-mail:
Eu não quero ir embora... não quero te deixar, querido...
Prometo que é a última vez que escrevo essas coisas... Obrigada por ter me feito tão feliz e ter me mostrado que o homem dos meus sonhos existe sim, é real e não apenas um fruto da minha imaginação. Vou ter que aprender a viver sem você, sem seus beijos e abraços. Vou ter que me contentar com minhas memórias... Ontem, eu não estava conseguindo dormir, então, fechei meus olhos, encostei a cabeça no travesseiro e imaginei que era o seu ombro. Descobri que isso significa aprender a viver sem vc.
Eu não vou me esquecer de vc, nem um dia de minha vida.
Um beijo.
Cuide-se.
Lucas desabou a chorar ...
Ingrid, amiga de Lucas de Florianópolis, chegou ao Rio no dia 10. Ficou hospedada no Albergue da Juventude. Lucas foi busca-la no aeroporto. Ela percebeu que o garoto só chorava. Ele contou toda a história, enquanto jantavam no restaurante do Hotel Sheralton, na estrada que liga o Leblon a São Conrado.
Depois foram dançar.
Lucas estava disposto a não pensar no casamento.
Sábado, 11 de outubro.
O Rio amanheceu chuvoso. O casório seria pela manhã. Lucas não dormiu nada a noite. Prometeu pegar Ingrid às 11 horas para um city tour. Entrou no carro e mirou seu olhar no espelho retrovisor.
Patrícia estava linda. A noiva mais maravilhosa que a cidade maravilhosa já viu. Sua felicidade era visível em seu belo rosto que contemplava aquela imagem nobre no espelho.
Apesar da chuva, muitas pessoas compareceram a cerimônia. Sidney ficou orgulhoso ao ver sua noiva que estava ainda mais bonita.
Feito. Eles casaram. A lua-de-mel foi em Natal-RN. Muita diversão, digna de qualquer recém-casado.
...
Lucas levou Ingrid para conhecer o Rio de Janeiro inteiro. Da Ilha do Governador até Grumari. Foram até ao clássico Vasco e Flamengo. No domingo, resolveram ver dois filmes: Kedma e Seja o que Deus quiser. No último, o beijo. Rápido, sem graça. Lucas começou a chorar na sala de exibição. Pediu desculpas à Ingrid, que entendeu o contexto.
Lucas não parava de pensar em Patrícia. Já estava consumado. A vida deveria continuar. O rapaz entrou em profunda depressão. Teve de fazer sessões de terapia intensiva com psicólogo.
Patrícia voltou de Natal como se nada tivesse acontecido. A troca de e-mail continuou. Porém, Lucas permanecia mal. Seu amor por Patrícia não tinha acabado. Dizem que o amor não acaba. Que seja, ele permanecia apaixonado. Tentava ser impassional. Tratar Patrícia como uma amiga. Difícil...
De qualquer forma, ele estava feliz com a felicidade dela. Até hoje, Lucas torce por Patrícia. Permanece em prontidão para assisti-la em qualquer coisa. Menos um eventual romance, claro. Afinal, ela decidiu casar-se.
Com o tempo, Patrícia começou a tratar mal o garoto. A indiferença dela arasou o rapaz, que sentiu-se um nada ...
Lucas vivia recebendo convites para sair. Seu telefone não parava. Mas, em sua cabeça, apenas Patrícia.
Escrito por Théo às 14h26
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Trinta e oito
Patrícia e Lucas estavam agoniados. A situação era crítica e deveras complicada. Ele tinha medo de pedir para ela não casar. Achava que não tinha o direito de interfirir na vida de outra pessoa. Ela sofria muito. Ambos pensavam um no outro de maneira intensa e ininterrupta.
O casamento se aproximava. Mesmo assim os encontros continuavam. Sempre na mesma praça, próximo à Assessoria, em Copacabana. O beijo dos dois era apaixonado ...
Os e-mails trocados sintetizam o delicado momento de Lucas e Patrícia ...
Cada vez que recebo um e-mail seu, tenho de disfarçar minha tristeza. Hoje, vim para o trabalho pensando em nossa situação. Se alguém me dissesse que isso iria acontecer em minha vida, eu não acreditaria. Eu não posso acreditar que conheci, às vésperas de meu casamento, alguém que poderia ser o homem da minha vida. Eu realmente não consigo imaginar como resolverei essa questão dentro de mim.
Saudade (aliás, essa palavra tem sido muito comum em meu vocabulário).
Beijo, Paty.
Patrícia viajava muito a trabalho. Tinha de passar uma semana num evento em Recife. Lágrimas enxeram os olhos de Lucas devido a saudade ... . Os dois ficaram horas ao telefone...
(De Patrícia para Lucas) Acho que não volto mais de Recife... Vou fazer tererê na praia... Quer ficar comigo?
Olá!
Finalmente, consegui usar a Internet aqui no hotel.
Dormiu bem? Sonhou comigo? Eu sonhei contigo. Quero saber se estivemos juntos durante à noite, hahaha.
Hoje meu dia vai ser um pouco agitado. Já encontrei com o cara da revista Trip. Agora à tarde, vou lá pro Centro de Convenções com ele e com a TV Globo. Eles vão entrevistar o Nação Zumbi e o Mundo Livre. Espero que dê tudo certo.
Foi muito bom ter falado contigo ontem à noite. Parece que vc leu meus pensamentos. Eu estava com muuuuuuuuuita vontade de ouvir a sua voz. Continuo com muita saudade. Na realidade, ela aumenta a cada dia. Isso me preocupa muito, mas não dá pra fazer de conta que nada está acontecendo.
Vc deve estar trabalhando bastante hoje, né? Olha, feche os olhos. Vou te dar um beijo bem apertado na bochecha e desejar um bom dia!
Com carinho e muuuuuuuuita saudade, Paty.
Outro e-mail ...
Por mais que eu tente, não consigo ignorar o que sinto por vc.
Como vc está? Eu continuo com saudade. Tenho saudade do seu beijo, do seu abraço, da sua voz, do seu cheiro... Estou lutando contra isso, mas por enquanto não estou conseguindo mudar nada dentro de mim.
Achei que deveria te dizer isso: meu beijo e os meus carinhos, do jeito que vc conhece, são só seus, pode acreditar. Se eles são especiais, é porque vc é especial, porque vc despertou em mim um sentimento muito especial. Vc estará comigo para sempre.
Dia 30 de setembro ... Apenas 11 dias para o casamento de Patrícia ...
Escrito por Théo às 10h33
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Capítulo XXXVII
Lucas ligou para Patrícia, que o tratou mal.
- Não tem explicação, Lucas. Esse seu jeito de bom-moço quase me enganou. - Patrícia, me entenda, caramba. Poxa, estou na sua! - Na minha, na da Juliana e de sei lá quantas mais! - Que é isso?! Me respeite! - Não posso acreditar que estejas falando em respeito. Cresça, Lucas. Cresça! - Foi uma confusão. Posso explicar. - Claro, já esperava esta frase. MAs, tudo bem, você está certo. Eu que fui tola. Ai que raiva, droga! - Não foi tola... - Eu sou ! - Não, não é. - Desculpe-me, mas não posso mais falar. Tchau - Espere...
Patrícia desligou o telefone.
Lucas estava inconformado. Seus pensamentos eram exclusivos em Patrícia. Desde o primeiro minuto que ele levantava ao último antes de dormir, sem contar os sonhos constantes. Ele estava apaixonado, não olhava para outra menina. O tal bilhete enviado à Juliana foi uma brincadeira proposta pelo amigo em Gramado.
Lucas ficou triste. Pegou o carro e foi para a faculdade. Lá encontrou seu amigo:
- Mané, Mané, tu não sabes que rolou ...
Contou a história toda. Manuel ficou chocado e derreteu-se a pedir perdão.
- Esqueça, meu amigo. Precisamos remediar. Olha só, trouxe um gravador. Você poderia gravar um depoimento explicando o que rolou em Gramado? - Claro, Lu.
Gravaram.
Lucas, do telefone público, ligou para a Assessoria. Patrícia atendeu seca.
- Paty, escuta só ...
Ela ouviu pacientemente. Teve vontade de chorar. Sua cabeça latejava. Sua vontade era terminar o noivado e ficar com Lucas, mas tinha medo. Sabia que o rapaz não tinha mandado o torpedo à Juliana por mal. Ela confiava nele. Gostava dele. Desejava que ele fosse mau-caráter, mas ele não era. Sentia que era querida por Lucas. Faltava um pouco mais que um mês para seu casamento. O mundo parecia desabar.
Ao chegar em casa, Patrícia, depois de abraçar sua mãe, chorou. Sabia que tinha de casar. Que não poderia mais encontrar Lucas. Mas, não deixava de pensar nele. Ela teve medo. O noivo dela era um cara legal, centrado. Mas, não podemos decidir o pensamento do nosso coração.
"Não podemos impedir que um passarinho pouse em nossa cabeça. Mas, decidimos se ele fará ninho".
. . .
No outro dia, Lucas resolveu marcar um encontro. Foram ao Shopping Rio Sul, em Botafogo. Ela resolveu acreditar na versão do rapaz. Os dois conversaram muito.
Lucas resolveu acompanhar Patrícia até o ponto de ônibus. Se abraçaram. Ele resolveu se afastar. Sabia que não poderia resistir e poderia beija-la. Patrícia não entendeu a atitude de Lucas. Queria beija-lo.
Na cabeça dele, um sentimento de culpa pelo noivo de "sua deusa".
Sem chance: O BEIJO ROLOU.
Lucas ficou extasiado pelo beijo da garota. A química era impressionante.
O ônibus chegou ...
Escrito por Théo às 20h21
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Trinta e seis
Para quem está perdido na história que não é estória:
Lucas, 26 anos, estudante de Cinema na Universidade Federal Fluminenense. Mora em São Conrado, na capital carioca. Por falta de interesse, respeito e talvez por outras prioridades, ele preserva a virgindade. Trabalha numa produtora de audiovisual, com estúdio no Recreio dos Bandeirantes.
Num passado próximo, ele se envolveu com quatro Patrícias diferentes, sendo que três dessas eram comprometidas com outros rapazes.
Em 2002, na cidade de Gramado, durante o Festival de Cinema, conheceu outra Patrícia. Jornalista, assessora de imprensa. Trocaram olhares. Onze meses depois "se encontraram" na Internet e começaram um romance virtual, até o reencontro no Festival de Gramado 2003. Ela revelou que era noiva. Ele ficou assustado e decidiu esquecer a garota, até ficarem juntos. A química foi perfeita. A vontade de Lucas e Patrícia era ficarem juntos. Porém, o casamento dela se aproximava. Seria em dois meses, no dia 11 de outubro daquele ano.
Patrícia voltou ao Rio, enquanto Lucas ficou mais alguns dias em Porto Alegre. Trocaram e-mails apaixonados.
Lucas desembarca no Rio disposto a ficar com Patrícia. Ele estava confuso. Tinha medo que a garota se arrependesse de trocar seu noivo por ele, um estudante cheio de sonhos.
Chorou muito ...
Porém, ao abrir sua conta de e-mail, leu algo que provavelmente inibiram todas suas chances de ficar com a primeira garota que ele realmente amou e estava disposto a se entregar:
Oi,
Poderia ter esperado você entrar em contato para lhe enviar esse e-mail, mas acontece que sou assim, impulsiva e honesta. Aliás, essa é a minha principal característica, a honestidade. Muitas vezes acabo me machucando por isso.
Eu pensei que você fosse sincero. Realmente acreditei em suas palavras. Sabe a menina para quem você mandou o bilhete no fim de semana, elogiando o sorriso? Pois é, o nome dela é Juliana Santilli, caso vc ainda não saiba, e ela está sentada ao meu lado. Ela trabalha aqui na Assessoria também. Como você pode ver, o meu chefe tem bom gosto.
O que mais me espantou não foi o fato de vc ter achado outro sorriso bonito, mas sim o fato de ter usado a mesma estratégia. Desculpe-me, mas não posso entender.
Dessa vez, pelo menos, estou facilitando o seu trabalho. Vc não vai precisar procurá-la por quase um ano.
Bjos.
Escrito por Théo às 11h03
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Capítulo XXXV - Porto Alegre
Bah, Tchê, tri-legal, caros leitores. Faltam apenas cinco capítulos para a cenas dos próximos capítulos desta novela. Vale lembrar que Patrícia existe (as Patrícias). Tem outro nome, mas é real. Todas as histórias, por mais bizarras que pareçam, aconteceram. Divirtam-se. O autor.
Porto Alegre
Porto Alegre é uma das interessantes cidades brasileiras. Boas universidades, pessoas bonitas, politizadas, simpáticas. Clima agradável, bons eventos culturais e artísticos.
Lucas adorou a cidade. Caminhou por todo o centro. Observou o movimento e as pessoas. Lembrou de cenas do filme "O Homem que Copiava" (muito bom, por sinal. Vale a pena).
No hotel escreveu um e-mail para Patrícia, que logo respondeu:
O meu fim de semana foi meio surreal, sabe? Parece que essa não é a minha vida e eu nunca pensei que algo assim pudesse acontecer comigo faltando sete semanas para eu me casar... Por que vc não apareceu antes, hein??? Você pode me explicar por que as coisas têm que ser assim???
"Você esteve comigo o fim de semana inteiro. Me colocou em algumas situações delicadas, mas eu não o deixei ir embora da minha mente. É isso. As pessoas podem me tirar tudo, menos as minhas lembranças.
O que você está fazendo em Porto Alegre? Você volta amanhã?
Estou com muuuuita saudade.
Um beijo.
Pá"
Esta mensagem de Patrícia fez Lucas viajar. Ele imaginou a cena do reencontro com ela: Seria lindo: Os dois decidiriam ficar juntos. Ela abandonaria o casamento e ambos seguiriam a sugestão do coração.
Lucas estava apaixonado. Patrícia não deixava seus pensamentos por um instante se quer. Tudo era motivo para lembrar da garota.
Para distrair, o rapaz resolveu ir ao cinema. Foi a pé ao Shopping Iguatemy (do centro). Fez algumas compras e resolveu assistir à estréia de "Lisbela e o Prisioneiro", de Guel Arraes. Antes da sessão ligou para Patrícia.
- Oi. - Quem é? - Lucas. - Nossa, não reconheci sua voz, querido. Onde você está? - Em Porto Alegre. No Shopping. Vou ao cinema. - Nossa. Que filme? - Lisbela e o Prisioneiro. - Nossa. Já ouvir falar da história. Meu Deus ... - Que foi? - Nada. Assista. - Estou com saudade. Muita. - Eu também, querido. - Só liguei para falar isso. - Você é fofo. Estou com saudade. - Eu também. Quero você. - Eu também. - Bom, Pá, vou lá. - Vai querido. Qualquer coisa, ligue-me. - Beijos e beijos. Saudade. - Cuide-se. Beijo, Lindo!
Ao final da ligação, Lucas ficou feliz. Seu sorriso foi notado pelas pessoas na praça de alimentação.
O filme foi um estouro. Lucas não conteve as lágrimas. A história não poderia ser pior. Um cara conhece a mulher da sua vida; só que ela é noiva. Os dois se encontram numa sessão de cinema e se apaixonam. Claro, os dois terminam a história juntos. Lucas nunca gostou de filmes com roteiros previsíveis e toscos. Mas, por alguns instantes ele abandonou sua postura cética e sonhou com Patrícia.
Ligou mais um avez para o Rio.
- Patrícia, oi é o Lucas. - Nossa ... - Você não vai acreditar na história do filme. Quero muito te ver. - Nossa, Lu ... - Preciso desligar. - Querido, você está bem? - Estou com saudade. Quero ver-te. Quero você. - eu também! Cuide-se, Querido. - Você também . Fique com Deus.
Quando chegou no hotel, leu mais um e-mail de Patrícia:
Oi, cadê você??? Eu quero continuar ouvindo a sua voz! É tão bom falar contigo. O pior é que eu não tenho muito o que fazer agora. Espero que volte logo. Quando ouvi a sua voz, fiquei confusa. Vc foi a primeira pessoa que me passou pela cabeça, mas fiquei com medo de dizer o seu nome e ter que me explicar depois. Aliás, já estou tendo que dar explicações demais por esses dias. Já te disse que não sou muito boa em disfarces? Então, sou quase transparente. Quando estou triste, preocupada, feliz, todos sabem...
Quero dizer que vc está melhor do que eu, pois conseguiu ver um filme inteiro e ainda prestar atenção. Eu nem isso tenho conseguido. No fim de semana, tentei ver O Pianista, quer dizer, vi, mas não prestei a menor atenção... Foi apenas uma boa desculpa para eu poder olhar para o nada e pensar. Vou ter que ver de novo, risos.
Acho que virei a sua vida de pernas para o ar, não é? A minha tb está assim, mas quer saber de uma coisa? Não me arrependo nenhum segundo do que fiz. Estou sendo sincera demais... você deve achar que sou uma maluca. Sabe a frase da minha mesa - "O futuro tem de ser obra nossa"? Pois é, isso não sai da minha cabeça.
Volta logo. Eu preciso te ver.
Ah, as suas vontades são as minhas vontades.
Um beijo enorme.
Pá.
Lucas embarcou para o Rio. A cidade maravilhosa honrava seu adjetivo. Apesar do inverno, o dia estava lindo e quente. Sua vontade era encontrar Patrícia o mais rápido possível. Para não "sufocar", resolveu entrar em contato apenas a noite. Aproveitou para cortar o cabelo, fazer as unhas, almoçar com seus pais, passar na produtora e rever os amigos. Caminhou pela praia do pepino e votlou ao apartamento por volta das 17 horas, quando resolveu abrir seus e-mails.
Ficou assustado e triste com o que leu...
Escrito por Théo às 08h51
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Trinta e quatro - Torpedo
O Festival de Gramado chegou ao final. Os filmes consagrados e premiados foram "De Passagem", de Ricardo Elias e "Los lunes al sol", de Fernando Aranoa.
Lucas gostou de ambos. Achou a premiação justa.
Ele não estava empolgado. Seus pensamentos estavam no Rio. Mesmo assim, resolveu participar da festa de encerramento no Hotel Serrano. Chegando lá, encontrou alguns dos seus amigos. A organização tinha deixado alguns jornalistas e cineastas de fora. Péssimo. Alguns profissionais chegaram ficar sob intensa garoa, sem contar o frio da cidade serrana. Ocorreu um início de tumulto.
Lucas tinha a credencial. Porém, alguns de seus amigos da Band, Cultura e do jornal carioca "O Dia" não puderam entrar. Lucas resolveu interceder pelos colegas. Conversou com a jornalista Juliana Santili, encarregada pelo credenciamento da imprensa na celebração. Segundo ela, não havia uma lista.
Lucas achou estranho e deduziu desorganização. Achou um absurdo o destrato com alguns cineastas e jornalistas.
Manuel Giardini, video-repórter da TVE-RJ, amigo pessoal de Lucas era um dos segregados e indignados. Ligou a câmera e tentou entrevistar a assessora, que tentava apagar o fogo com simpatia, mas ineficiente, já que a fila aumentava. Lucas notou que a jovem assessora de imprensa começou a ficar tensa. Resolveu ajuda-la. Tentou acalmar os nervos dos comunicadores impedidos de entrar. Giardini pediu para Lucas conversar com Juliana. Afinal, a assessora tinha simpatizado com o cineasta, que tentava entreter os revoltados.
- Você está tensa! - Um pouco. Eles acham que sou a culpada. - Acho que não. O problema é que eles estão com frio, fome e vontade de entrar. - Eu sei. Não posso fazer nada. - Como não? Coloque o pessoal lá dentro. Só tem jornalista, comunicadores e cineastas. - Não posso. - Lucas percebeu que a chefe de Juliana estava próxima. - Entendo. - Qual seu nome? - Juliana. E tu? - Lucas. Prazer.
Giardini sussurrou no ouvido de seu amigo que mais um pouquinho Juliana liberaria o pessoal. Lucas descordou, pois a garota tinha uma postura profissional.
- Lucas, Lucas vai por mim. Ela é assessora de imprensa e inteligente. Ela sabe que os jornalistas não devem ficar de fora. - Mas, o problema é da organização do evento. - Então, por isso mesmo. Sou jornalista. Sei que estou falando. O bom assessor tem iniciativa, ousadia e, quando precisa, age com autonomia, independente das trapalhadas do cliente. - Poxa, Giardini, acho que tens razão. Porém, penso que a Juliana esteja um pouco tensa e abandonada pela equipe. - Então cara, jogue um charme. Você é o mais bonito daqui, meu irmão. Fale com ela. Mande um bilhete.
Lucas sacou um cartão de visita e escreveu: "Mantenha seu sorriso no rosto. Ele faz diferença". Entregou.
Minutos depois, não pelo bilhete, mas por bom senso, liberaram os barrados.
Lucas conversou trocou algumas palavras com Juliana, que agradeceu a gentileza e foi para pista de dança. Desejava que Patrícia surgisse em meio à escuridão e luzes negras do salão nobre do hotel. Algumas garotas tentaram se aproximar do rapaz, que recusou as investidas, apesar de algumas serem de demasiada criatividade.
Voltou ao hotel.
Acordou com uma sensação estranha. Pegou o transporte para Porto Alegre, onde ficaria mais três dias.
Sua cabeça permanecia em Patrícia. Porém, sabia que este relacionamento não vingaria. Histórias de noivas que deixam o noivo no altar são estórias.
Escrito por Théo às 15h22
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Diga capítulo 33
Lucas ficou chateado com Patrícia. Sentiu-se usado. Não gostou do e-mail enviado por Patrícia.
Apesar de entender a situação da garota, mais uma vez ficou decepicionado com as mulheres. Tentava valoriza-las, demonstrar carinho incondicional, mas se dava mal. Seus amigos sempre o aconcelharam a ser menos comportado. Usavam a expressão "seja mais cafa". Elas gostam. Claro, ridículo, mas tentador.
Na festa oficial do evento no Bill Bar, ele quis se soltar. Percebeu que algumas garotas e mulheres o miravam. Chegou a ser abordado três vezes. Sem chance: Só pensava em Patrícia. Entrou no banheiro e chorou. Voltou ao hotel e dormiu. Resolveu pensar apenas no final do Festival.
Pensou que talvez tivesse interpretado mal Patrícia. Ele queria estar com ela. Implorar para que ela não se casar. Não achava uma atitude correta. Queria sumir. Mas, por impulso, carregado de saudade, respondeu ao e-mail.
Patrícia, prontamente, mandou outro, com comentários sobre alguns argumentos do rapaz. Dessa vez Lucas ficou mais feliz com o e-mail. Sua saudade aumentou. Faltava apenas um dia para o festival.
Abaixo, o segundo e-mail pós Gramado enviado por Patrícia.
Oi,
Eu não quero mais ficar aqui!!! Quero voltar para Gramado agora! E não é por causa do Marcos Palmeira (risos), pode apostar.
Pois é, você demorou tanto para responder que eu pensei que tivesse se arrependido e decidido me abandonar de vez.
Minha força renovada? Só rindo mesmo. Assim que cheguei, minha coordenadora despejou tudo em cima de mim e desencanou. Fiquei até às dez da noite. O problema é que eu estava totalmente surtada... você consegue imaginar como estava a minha cabeça? Quer dizer, como está... A minha sorte é que tenho pessoas maravilhosas trabalhando comigo e que sempre me ajudam muito. Bom, resumindo, fizemos a apresentação hoje e foi boa.
Ontem, cheguei em casa tão mal que não conversei direito nem com minha mãe. Quando cheguei, dei um abraço bem apertado nela (ela deve ter estranhado) e fui fazer as minhas coisas. Ela até tentou conversar, mas eu disse que estava muito cansada e que precisava dormir. Não quis ver meu noivo tb. Disse que precisava dormir. A minha irmã está bem.
Ah, a nossa cidade está totalmente sem graça. Parece que está faltando algo. Vc sabe o que é? (risos)
Não tenho ainda idéia do que vou fazer no fim de semana. Estou na seguinte situação: pára tudo que eu quero descer!!!
Sobre seus comentários: 2- Me arrependi por não conversar contigo em 2002; E talvez eu nunca te perdoe por isso. Tudo seria tão mais fácil...
3- PERDÃO por ter dormido em seus braços. Eu estava deveras cansado, sem dormir, quase bêbado e, na boa, hipnotisado com seus carinhos. Caracas Paty, não é fácil, vc tem a manha. Na boa, vc praticamente me ninou. Repito, seus beijos e carinhos são inadjetiváveis; Eu já disse que vc não precisa me pedir perdão. Eu entendo que você estava cansado. Eu é que peço desculpas por ter resolvido ter uma crise numa hora daquela! Coisas de mulher...
4- PERDÃO por ter feito tudo tão depressa. De coração, não tive a intensão. Vontade sim, claro. Mas, não estava nos meus planos. Desculpe-me pela ousadia. Não curto esta história de "ficar". Lembre-se, uma das minhas metas é valorizar a mulher. Ainda mais tu, guria. De coração tb, obrigada por ter feito. Eu sei que sou uma maluca de estar dizendo isso, mas é o que sinto. Eu sei que dei um empurrão para tudo ter acontecido. Sou uma garota inteligente e sabia que nós dois, num mesmo quarto, montando press kit, não poderia dar certo, quer dizer, poderia dar certo até demais. E deu.
Mas, passou algumas vezes pela minha cabeça, a idéia de conquista-la. Só passou? Já foi embora a idéia? Ai, desculpe, eu sei que não deveria falar essas coisas...
5- Obrigado pela oportunidade de conhecer-te. Foi legal e especial; Isso é uma despedida???
6- RISOS. Patrícia, eu realmente não a mereço. Vc não sabe o que está dizendo...
Patrícia, vou parar de escrever. Costumo ser mais fechado. Escrevi muito, não tudo. Escreva tudo então. Eu quero ouvir. Pensando bem, se eu quero ouvir, não escreva, fale.
Aproveite o último dia do festival, mas não muito tá?
Quero que saiba que vou contar com vc sim, muito. Você também pode contar comigo, se eu puder ajudar de alguma forma.
Um beijo com muito carinho.
Patrícia.
Escrito por Théo às 11h02
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Capítulo XXXII
... Os beijos estavam quentes. Lucas beijava Patrícia como nunca tinha feito com outra garota. Em cada movimento dos lábios, língüa e mãos, o garoto depositava doses grandiozas de carinho e afeto.
O hálito dela, naquele momento, era o melhor dos perfumes. A cama parecia nuvens. Patrícia interrompia os beijos para mirar os olhos de Lucas e sorrir. Tal atitude deixava o rapaz louco, feliz.
Apesar do prazer que desfrutavam, sem ninguém a observa-los além dos olhos abençoadores de Deus, não tinham pressa. Permaneciam vestidos e comprotados. Não tinham pressa. Curtiam cada minuto. Num rápido intervalo, Patrícia fez um carinho mágico no rosto de Lucas, que enfrentava sua terceira noite em claro. De repente, um breve cochilo.
Ele despertou assustado e envergonhado. Porém, ela o velava com sorriso e lembrava da canção do Aerosmith " I don't want miss a thing" (I could stay awake just to hear you breathing/ Watch you smile while you are sleeping/ While you're far away and dreaming ...).
Os beijos e carinhos eram cada vez mais intensos.
De repente, como numa crise de consciência, confusa, com medo, Patrícia, com feição de choro, pede para Lucas sair. Sem entender nada, ele fica parado. Sabia que a garota poderia estar numa crise enorme. Sem questionar muito, Lucas deixou o quarto do hotel. Passadas 3 horas da manhã, o frio de Gramado castigava o rosto molhado com lágrimas do rapaz. Ele queria voltar. Se desejo era entregar o corpo pela primeira vez a uma garota: Patrícia. Insistir para ela não casar e ficar o resto da vida com ele, juntos.
Porém, numa egotrip enquanto caminhava nas ruas escuras da cidade à procura de um Taxi que o levaria ao seu Hotel, Lucas se castigava; Não estava arrependido, mas lamentava não obedecer a razão - afinal, às vezes, temos razão de não ouvir a razão -, que pediu para ele não se aproximar de Patrícia, após a ciência que sua amada era noiva.
Seu único desejo no momento era desculpar-se com a garota pelo desrespeito proporcionado, não apenas pelos beijos e carinhos, mas também pelos e-mails.
Sentou na guia do passeio e pediu a Deus proteção e felicidade a Patrícia. Chegou ao Hotel para o Café da Manhã, no momento em que Patrícia embarcava em Caxias do Sul para o Rio.
Lucas teve um dia horrível. Resolveu esquecer Patrícia. Ou talvez, esconder seus sentimentos, como se pudesse ...
Patrícia chegou à Assessoria triste. Contou a sua amiga Fátima o que tinha acontecido. Escreveu uma carta para Lucas e enviou pela internet (abaixo). A noite, não quis encontrar seu noivo. O mundo parecia desabar.
E-mail enviado por Patrícia ao chegar no Rio de Janeiro:
Oi,
Cheguei aqui já faz uma hora, mas só consegui sentar em minha mesa agora. Assim que entrei, minha coordenadora me chamou para me passar tudo. Isso é que é desespero. Fico extremamente irritada quando não me deixam nem chegar direito. Não fui para a casa. Vim direto do aeroporto para cá. Aliás, se eu sobreviver a esse dia, acho que sobrevivo a tudo. Estou cansada, com sono, confusa, atrapalhada, enfim, um horror, e ainda tenho que pensar em estratégias para um de nossos clientes. Sem contar que, assim que entrei, a realidade já começou a despencar em minha cabeça. Meu noivo já me ligou, minha irmã tb... Parece que ligaram pra dizer "olha, nós existimos e nós somos a sua realidade". Eu estava tão bem longe daqui.
Ok, vou parar de reclamar. Tenho uma coisa boa para contar. Assim que entrei aqui na redação, as meninas da minha equipe disseram que estavam com saudade e que eu faço muita falta. Bom, né? Acho que tenho amigas de verdade aqui, mas não pra contar o que está acontecendo comigo. Isso, infelizmente, vou ter que guardar só para mim.
Não acordei muito bem. Por um momento, me arrependi de ter pedido para vc ir embora. Quando o alarme do meu celular tocou, eu senti um vazio tão grande, um medo... Mas, como vc mesmo diz, eu sou forte e posso enfrentar esses sentimentos. Continuo precisando chorar. Acho que só assim vou me sentir um pouco aliviada. O pior é que nem chorar eu vou poder, pois tenho certeza de que sempre terá alguém por perto me pedindo uma explicação.
E como estão as coisas por aí? E seus chefes, comentaram mais alguma coisa? Ah, tome Bohemias para quando vc estiver sentindo minha falta. É uma forma de estar próxima, eu acho.
Preciso parar de escrever, senão, você não vai ter nem tempo de ler meus e-mails. É que eu gosto tanto de falar com vc...
Ah, como é que está o bar Bohemia?
Estou com saudade (já!).
Comporte-se! (brincadeira).
Take care.
Mais uma coisa: como não sabia para qual e-mail mandar, mandei para os dois que eu tinha por aqui.
Beijo.
Escrito por Théo às 09h12
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Trinta e 1
O pensamento de Lucas estava fora daquele quarto. Ele estava ansioso por beijar Patrícia, por outro lado sabia que era errado e perigoso.
Sua memória resgatou imagens das outras Patrícias. Sim, aquelas que também eram compromissadas, mas traíram seus parceiros com ele. A diferença era que no caso da atual existia um sentimento além de simplesmente dar um beijo. Ele gostava de Patrícia. Estava apaixonado, envolvido emocionalmente. A sensação era que o coração ultrapassara a barreira do som, como um verdadeiro avião supersônico, que despeja bombas irreversíveis.
Aquele segundo foi suficiente para Lucas pensar e repensar sobre beijar Patrícia.
No quarto, além dos Press Kits e dos dois, talvez os olhos de Deus.
Lucas olhou mais uma vez para Patrícia, mirou seus lábios e beijo-a com muito carinho.
Depois de alguns segundos, ele afastou o rosto e percebeu que a menina sorria, satisfeita, com olhos fechados. Ele sentiu-se amado e querido. Beijaram a noite toda. Só beijos.
Saiu sob o sol da manhã na serra gaúcha. Estava Feliz. Entorpecido.
Lucas estava sorridente. Esqueceu-se que Patrícia era noiva e casaria em menos de dois meses.
Ele voltou para seu hotel a pé. Saltitava como criança e brindava cada hortência seca no caminho, que na percepção do rapaz coloriam Gramado.
Também achou hilário o fato de ficar a noite toda num quarto de hotel com uma pessoa amada aos beijos e continuar virgem. Mas, esse fato não tinha relevância. Ele celebrava o fato de ter selado sua paixão com muitos beijos recheados com carinhos mútuos.
A vontade era de continuar com Patrícia. Visitar Gramado com ela.
Chegou no hotel, tomou uma ducha e voltou ao centro. Estava demasiadamente alegre, ao ponto de contagiar seus amigos. Patrícia não saia de sua cabeça. Queria reencontra-la logo.
. . .
Ela estava com seu chefe. Mesmo assim, trocou olhares com Lucas. Patrícia enfrentava conflitos internos. Estava feliz, triste, ansiosa, com medo.
Os dois marcaram de se encontrar no quarto dela novamente. Lucas chegou e sem esperar, beijo-a novamente.
Intenso.
Até que ...
Escrito por Théo às 19h37
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Enfim, o Capítulo Trinta
Por volta das 2h45 da madrugada, os braços de Lucas estavam doloridos de tanto montar os Kits.
Patrícia interrompeu:
- Vamos parar um pouquinho!
Lucas deitou meio corpo na cama e respirou fundo. A cabeça dela pousou sobre os ombros dele. Corações disparados. Silêncio.
Escrito por Théo às 09h06
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Capítulo XXIX - A Sessão, O Carro, Os Kits, O Quarto, O Desejo
Lucas procurou um lugar sossegado para ler o bilhete de Patrícia. Ele ficou feliz com a resposta, que tinham trechos interessantes:
"Fiquei surpreendida com sua reação ao saberes que sou noiva" "Talvez eu não te perdoe por não ter falado comigo no ano passado. Seria tudo tão diferente" "Sim, aceito o convite para a sessão desta noite" "Depois, vou precisar de ajuda para montar os Press Kits"
Ele ficou ansioso. Apesar do frio na cidade serrana, suas mãos suavam ao ponto de molhar o bilhete. Seu sorriso era de um garoto de seis anos que ganhou o tão sonhado presente no natal.
Às 21 horas, Lucas e Patrícia entraram no Palácio dos Festivais. Caminharam pela enorme passaralela coberta com tapete vermelho e rodeada de fotógrafos e populares que gritavam pelos ídolos da televisão e cinema. Lucas achava tudo aquilo muito brega e cafona. Mas, sentia-se um príncipe ao lado de Patrícia.
Depois de um tumulto causado pelos fãs que lutavam por autógrafos, Lucas conduzio sua companheira até o centro da sala de exibição. Ficaram num lugar privilegiado, reservado para VIPs, porém vazio. Todas as outras fileiras estavam lotadas, menos aquela. Mágico, impressionante.
O Filme era "DOM", uma adaptação da obra machadiana "Dom Casmurro". Algo um pouco desagradável para o momento. Lucas temia a idéia de Patrícia sentir-se Capitu.
O perfume da garota embriagou Lucas. Evintando o contato, ele sentiu o cheiro agradável do cabelo dela. Sua vontade era beija-la. Sentiu-se tolo, sujo por estes pensamentos, ainda mais com a história na telona.
Ao final, os dois se olharam de maneira diferente. Lucas desviou o olhar.
- E agora? - Lucas quebrou o silêncio. - Então, vou montar os Press Kits. - Quer ajuda? - Sim. - Então vamos?! - Vamos - Patrícia estava em conflitos. Sua vontade era sumir. Lucas havia despertado algo gostoso dentro dela.
A intenção de Lucas era ajudar Patrícia. Ele isolou qualquer pensamento além disso.
Porém, ao entrarem num dos carros do evento, Lucas abriu a porta para Patrícia e levantou o banco traseiro do Palio. Ela entrou. Quando Lucas tentou voltar o banco para sentar ao lado do motorista foi surpreendido por Patrícia que impediu a ação do rapaz, que entendeu que deveria sentar ao lado dela. Sentou-se!
Ficaram próximos. Ombro a ombro. Não conversaram muito até chegarem ao Hotel Recanto da Lua.
Saudaram o recepicionista.
O quarto de Patrícia estava lotado por caixas para o Press Kits. Porém, outras muitas caixas de vinho agurdavam ao lado de fora, num deposito do hotel.
Seriam montados mais de 200 kits. Eles tinham de colocar uma gravata nas garrafas, que seriam encaixotadas, junto com uma taça e um chaveiro.
Lucas ficou cansado de carregar tantas caixas para dentro da suíte. Começaram a montar kit a kit, enquanto trocavam experiências de vida, inclusive coisas íntimas, segredos não revelados que se escondiam nas memórias de ambos.
Sem perceber, Patrícia olhava Lucas de maneira tentadora. Ele desviava o olhar e pensamento. Pensava apenas nos kits.
Até que depois de muita conversa, ele desejou Patrícia.
Escrito por Théo às 09h15
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Capítulo XXVIII
Na escuridão da sala de exibição do Palácio dos Festivais, a mente de Lucas ignorava cenas de filmes interessantes.
Com o bloco de notas em mãos, começou a rabiscar um pedido de desculpas:
Patrícia, tudo bem?
Foi muito bom reencontrar-te. Não entenda como "xaveco" ou bajulação. Serei sincero. eu não sabia do seu noivado. Perdão se fui indelicado. Eu não sabia.
Deixo claro que torço por sua felicidade. E me coloco à sua disposição para ajudar-te na preparação dos Press Kits, bem como acompanhar-te nas sessões de amanhã.
Fique com Deus. Cuide-se.
Lucas.
Lucas correu até o Bar Bohemia. Estava fechado. Olhou ao redor e não enxergou Patrícia. Não achou prudente levar o bilhete ao hotel da garota.
No início da tarde de terça-feira cruzou com Patrícia. Envergonhado, entregou o bilhete e saiu.
Patrícia ficou chocada com o que leu. Resolveu responder. Seu carinho por Lucas era enorme. Desde a primeira vez que os dois se encontraram em 2002. Ela estava confusa. Era noiva de um cara super legal, mas não podia esconder o que sentia por Lucas. Mesmo assim, antes de responder o e-mail, pensou muito. Tinha vontade de agarrar Lucas. A troca de e-mails entre os dois foi significativa.
Ela ficou triste. Não sabia o que fazer.
Quando Patrícia respondeu a mensagem no site de Bohemia, tinha a esperança que Lucas fosse chato, sem graça. Infelizmente, o rapaz agradou. Ela gostou!
No final da tarde, Patrícia entregou a resposta do bilhete.
Lucas disfarçou, mas estava ansioso pela resposta.
Escrito por Théo às 14h30
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Capítulo XXVII
Os e-mails ficaram mais pessoais. Patrícia já se mostrava ansiosa por encontrar Lucas, que contava os dias para o Festival de Gramado.
Trocaram telefone, mas não se falaram.
Lucas pegou o avião no Galeão para Porto Alegre. Chegou em Gramado no dia 15 de agosto de 2003. Encontraria Patrícia na segunda-feira, 18. O final de semana passou rápido.
O local de encontro seria no quiosque da Bohemia na Feira do Audiovisual Brasileiro.
Lucas ficou um bom tempo para se arrumar. Passou cremes, fez exercícios e escovou a língua. Mesmo assim, comprou Trident.
Suas mão suavam a caminho do local. Sua boca estava seca. De longe não conseguiu avistar Juliana. Passou no estande do Canal Universitário de São Paulo, encontrou seu amigo Jota, que exibia seu excelente Vídeo "Bundas" para algumas pessoas. Foi bom, pois a narrativa da produção levou Lucas a sorrir e controlar a ansiedade.
Finalmente avistou Patrícia. Ela estava bonita. Usava calça e casaco jeans. Conversava com um modelo contratado pela AmBev.
Lucas se aproximou. Surpreendeu Patrícia, que sorriu e ficou um pouco envergonhada. Conversaram um pouco. O calor era intenso. Marcaram encontro para horas depois no Bar Bohemia, em frente ao Palácio dos Festivais.
Patrícia disse que precisava montar Press Kits. Lucas ofereceu ajuda.
Por volta das sete da noite, Patrícia aguardava Lucas no Balcão. Ele chegou com um sorriso largo e rosto rubro, pela vergonha. Ela levantou-se e conversou com as mãos no bolso. O clima era bom, gostoso.
De repente, ela arruma o cabelo e, subitamente, diz com olhar preocupado:
- Puxa, você viu, né? Eu queria falar antes - Viu o que? - espantou-se o rapaz sem saber o que aconteceu. - Olha .... Patrícia mostrou a mão direita. Um anel de noivado brilhava no dedo. - Eu sou noiva.
- Desculpe-me, eu tentei te falar, mas ...
A sensação era que o chão não mais existia. A tristeza de Lucas foi demasiada. Seu coração doeu. Porém, numa fração de segundo, numa recuperação sobrenatural, gentilmente ele responde:
- Puxa, que legal! - É eu queria falar-te antes. - Deveria ter falado. - Fiquei sem graça. - Que é isso, sem problemas. Qual o nome dele? - Cid. - Ah, legal. - E quando vocês se casam. Patrícia ficou sem graça, abaixou e levantou a cabeça, olho nos olhos de Lucas e respondeu. - No dia 11 de outubro. - Deste ano? - É. Lucas não conseguiu entender. Sua vontade era de sumir, mas mesmo assim, manteve a pose. - Legal, Patrícia.
Silêncio.
- Viu, falou Lucas, você quer ir à exibição? - Não posso. Tenho de montar os Press Kits. - Beleza. Então vou nessa. Muito legal encontrar-te. Nos vemos por aí. - Nos vemos.
Lucas saiu sem olhar para trás. Sentiu-se idiota. Não se concentrou nos primeiros filmes.
Escrito por Théo às 08h43
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Capítulo XXVI
Lucas conversou com Patrícia pelo Serviço de Mensagens Instantâneas até às 21 horas. Neste dia, ele foi trabalhar de ônibus. Depois que desconectou, ficou preocupado com a aventura que seria voltar para casa naquele breu de Julho.
O ponto de ônibus em Botafogo estava vazio. Ele aguardava a linha que partiria da Rodoviária até a Rocinha. Lucas desceria no primeiro ponto depois do túnel dois irmãos, esquina com a Av. Niemayer, onde ficava seu prédio.
A Lua Cheia era a única fonte de luz na rua. Era impossível ler o Jornal do Brasil, que estava em sua mochila.
O pensamento era um: Patrícia. Subitamente, ele começou a pensar numa letra com melodia. Nascia uma música. Sacou a caneta, e na capa do jornal escreveu, inspirado no Luar, no local do encontro dos dois em Gramado e, claro, no sorriso dela:
Lua Boêmia
Procurei entre as nuvens Algumas dessas virtuais Clamei pelo clarão Densa escuridão Deixa eu ver ao menos uma vez A luz, a lua o Sorriso do luar Se igual, boêmio, naquele bar Se preciso chover quero me molhar O arco-íris vou ver seu charme e o luar.
Escrito por Théo às 10h51
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